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Pedro Garcia é poeta e educador
Doutor em Antropologia Social
Museu Nacional/UFRJ), pesquisador do CNPq, leciona, atualmente, no curso de
pós-graduação de Educação Universidade Católica de Petrópolis, Rio de Janeiro
apoio: Secretaria da Ação Cultural de Piracicaba e Pinacoteca Municipal Miguel Dutra
A arte tece, à ponta de faca, com agulhas, mãos hábeis e imaginação, a  ponte entre o ser e o vir-a-ser. Nesta construção contínua, que aponta para o inacabado, vai mostrando suas vísceras. Onde o ponto final? Onde o traço que pode por tudo a perder ou dar o final aspirado pelo que se deseja criar? Cada gesto é uma aventura no vazio. Vazio sempre tenso, sempre a espera de ser preenchido mas que - por si só - fala, nos diz da sua expectativa. A folha em branco, a tela em branco, a interrogação à beira do abismo. Como um equilibrista o artista busca - como diria  Modigliani - salvar o sonho. Difícil missão em um mundo que se dissolve a cada passo. Mundo sem bússola e, por isso mesmo, aberto ao imponderável.
        Tessitura nos remete a uma composição, nos remete ao que tece, ao tecido, a um conjunto formado por entrelaçamento de fios; nos remete a teia,  tanto a da aranha em seu conjunto harmônico, quanto a da máquina  que produz círculos e retângulos. Marcelo Gimenes cria, com suas telas, este conjunto de associações buscando, como meta, o mais árduo: o simples. Simples que exige economia e deixa exposto apenas o necessário: a forma, a cor e a estrutura. Mas - como para desafiar nossa perspicácia - recobre estes elementos básicos sob uma camada espessa de pigmento em pó. Trata-se de uma máscara que não esconde mas expõe o que somos: seres reciclados no tempo, interligados  por pontos de crochê.
        Pouco importa que as fantasias do artista, que o levaram a criar, não sejam as nossas. O que importa é elas nos levam a viajar nossas próprias e particulares viagens.
Pedro Garcia